Sobre usos públicos e privados: o pseudônimo como estratégia de negociação em Sylvia Plath e Adília Lopes
DOI:
https://doi.org/10.25094/rtp.2026n47a1242Palavras-chave:
Adília Lopes, Sylvia Plath, Pseudonímia, Estudos de GêneroResumo
Este artigo examina a relação intertextual entre Sylvia Plath e Adília Lopes, centrando-se no romance A Redoma de Vidro (1963) e na estratégia do pseudônimo comum a ambas as autoras. Analisa-se como Victoria Lucas, de Plath, e Adília Lopes funcionam como ferramentas para construir uma persona autoral em certo grau distinta da identidade civil, permitindo negociar as expectativas de gênero associadas à assinatura feminina. Por meio deste recurso, as autoras exploram temas tabus como a saúde mental e a sexualidade, estabelecendo um distanciamento produtivo entre a vida e a obra. O estudo demonstra como o pseudônimo opera como mecanismo de resistência contra leituras biografistas redutoras, afirmando a autonomia da criação literária perante constrangimentos sociais e críticos.
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