O poema narrativo em língua portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.25094/rtp.2026n49a1297Palavras-chave:
edirorialResumo
Ao ouvir o canto de Fêmio sobre o malogro do retorno dos aqueus após a Guerra de Troia, Penélope abandona o tear e dirige-se ao salão, onde seus pretendentes escutam o aedo durante o banquete. Contristada, a senhora de Ítaca pede a Fêmio que escolha outro tema, pois aquele canto a remetia à ausência de Odisseu, cujo destino permanecia desconhecido. Diante do lamento e do pedido da mãe, Telêmaco intervém, argumentando que o aedo não é responsável pelos acontecimentos que narra, e afirma: “o homem mais aplaude o poema inédito / ressoando em seu ouvido” (Homero, 2014, Canto I, vv. 351-352). Na sequência, Telêmaco relativiza a dor particular da mãe, defendendo que é necessário encorajar o coração e o ânimo para escutar o que narra o aedo, “pois não só Odisseu privou-se do retorno, / mas numerosos gregos mortos pelos troicos” (Homero, 2014, Canto I, vv. 354-355).
Referências
HANSEN, João Adolfo. Introdução: Notas sobre o Gênero Épico. In: TEIXEIRA, Ivan (org.). Épicos: Prosopopeia; O Uraguai; Caramuru; Vila Rica: A confederação dos Tamoios. São Paulo: EDUSP; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008. p. 15-91.
HOMERO. Odisseia. Tradução, posfácio e notas de Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2014.
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