A insurreição da poesia: Herberto Helder e a palavra como fundação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25094/rtp.2026n47a1235

Palavras-chave:

Herberto Helder, Linguagem literária, Corpo, Sagrado, Ética da criação

Resumo

Investigamos a poética de Herberto Helder como insurreição da linguagem e gesto de fundação ontológica. Em diálogo com Martin Heidegger, Gilles Deleuze, Franco Berardi e a crítica contemporânea, analisamos A colher na boca (1961), com ênfase no conjunto de poemas "O Poema': acompanhando seu percurso iniciático do nascimento da palavra à sua exposição ao mundo. A leitura evidencia a centralidade do corpo e do sagrado como experiência material e sacrificial. Compreendemos a criação poética como ética da criação, na qual o poema realiza o sagrado e reinscreve a possibilidade de sentido entre poeta, povo e mundo.

Biografia do Autor

Luis Maffei, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Professor Associado IV de Literatura Portuguesa da Universidade Federal Fluminense (UFF); Niterói, RJ, Brasil.

Lorraina Almeida Serrão de Souza, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Literatura Comparada da Universidade Federal Fluminense (UFF); Niterói, RJ, Brasil.

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Publicado

2026-01-25

Como Citar

de Sant’Anna Maffei, L. C., & Almeida Serrão de Souza, L. (2026). A insurreição da poesia: Herberto Helder e a palavra como fundação. Texto Poético, 22(47), 62–80. https://doi.org/10.25094/rtp.2026n47a1235