Espaço de invenção, espaço de exceção: o caso do poema em prosa em Cruz e Sousa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25094/rtp.2026n48a1262

Palavras-chave:

Cruz e Sousa, Poesia simbolista, Campo literário, Poema em prosa

Resumo

Este trabalho visa propor a categoria de “espaço de exceção” como uma possível via de abordagem para a produção poética de Cruz e Sousa, em especial seus poemas em prosa. Nesse sentido, a partir das noções de “espaço de invenção” (Salete de Almeida Cara) e de “espaço dos possíveis” (Pierre Bourdieu), pensamos ser produtiva a reflexão sobre a tão referida marginalidade da poesia simbolista brasileira, tendo em vista possibilidades de inovação estética representativas de uma dinâmica interna ao campo literário brasileiro do momento.

Biografia do Autor

Júlio Cezar Bastoni da Silva, Universidade Federal do Ceará (UFC)

Professor de Literatura Brasileira do Departamento de Literatura e do Programa de Pós-Graduação em Letras: Literatura Comparada da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, Brasil.

Referências

ARARIPE JÚNIOR. Movimento literário do ano de 1893. In: ARARIPE JÚNIOR. Obra crítica. Rio de Janeiro: MEC; Casa de Rui Barbosa, 1963. p. 105-194. v. 3.

BAUDELAIRE, Charles. O spleen de Paris: pequenos poemas em prosa. Trad. Samuel Titan Jr. São Paulo: Editora 34, 2020.

BERNARD, Suzanne. Le poème en prose de Baudelaire jusqu'à nos jours. Paris: Nizet, 1969.

BOURDIEU, Pierre. As regras da arte: gênese e estrutura do campo literário. Trad. Maria Lúcia Machado. 2. ed. São Paulo, Companhia das Letras, 2010.

BROCA, Brito. A vida literária no Brasil – 1900. 5. ed. Campinas, SP: Sétimo Selo, 2024.

CARA, Salete de Almeida. A recepção crítica: o momento parnasiano-simbolista no Brasil. São Paulo: Ática, 1983.

CRUZ E SOUSA, João da. Obra completa. Org. Andrade Murici e Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

FISCHER, Luís Augusto. Parnasianismo brasileiro: entre ressonância e dissonância. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.

GÓES, Fernando. Cruz e Sousa ou O carrasco de si mesmo. In: GÓES, Fernando. O espelho infiel. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1966. p. 63-94.

GOMES, Mariana Albuquerque. Aos simbolistas, as margens: experiências estéticas e subjetividades políticas marginalizadas. Transversos: revista de história, Rio de Janeiro, n. 9, p. 188-221, 2017. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/ transversos/article/view/27621. Acesso em: 16 mar. 2026. DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2017.27621

MALLARMÉ, Stéphane. OEuvres complètes. Ed. de Henri Mondor e Jean-Aubry. Paris: Gallimard, 1974. (Col. Bibliothèque de la Pléiade).

MOISÉS, Carlos Felipe. A modernidade de Cruz e Sousa. In: MOISÉS, Carlos Felipe. Tradição & ruptura: o pacto da transgressão na literatura moderna. Vila Velha, ES: Opção, 2012. p. 247-256.

MURICY, Andrade. Panorama do movimento simbolista. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1987. 2 v.

PIRES, Antônio Donizeti. Pela volúpia do vago: o Simbolismo. O poema em prosa nas literaturas portuguesa e brasileira. 2002. Tese (Doutorado em Estudos Literários) –Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’, Araraquara, 2002.

ROMERO, Sílvio. A literatura. In: Livro do centenário (1500-1900). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1900. p. 1-125.

RUFINONI, Simone Rossinetti. A forma negra da morte: satanismo e escravidão no poema em prosa de Cruz e Sousa. São Paulo: Alameda, 2024.

SANTIAGO, Emmanuel. Jabuticaba literária: Parnasianismo brasileiro, crítica literária e “arte pela arte”. Teresa, São Paulo, n. 18, p. 151-164, 2016. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2447-8997.teresa.2016.127463

SARTRE, Jean-Paul. Baudelaire. 36. ed. Paris: Gallimard, 1954.

SCOTT, Clive. O poema em prosa e o verso livre. In: BRADBURY, Malcolm; MACFARLANE, James. Modernismo: guia geral. Trad. Denise Bottman. São Paulo: Companhia da Letras, 1989. p. 285-300.

SILVA, Júlio Cezar Bastoni da. No inferno, no Brasil: a trama baudelairiana em Cruz e Sousa. Soletras, Rio de Janeiro, n. 52, p. 29-49, 2025. DOI: https://doi.org/10.12957/soletras.2025.92089

SIMÕES JUNIOR, Álvaro Santos. Cruz e Sousa na imprensa carioca: do Missal aos Últimos sonetos (1893-1905). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: 2022.

SOUZA, Luiz Alberto de. "Os desclassificados do destino": Cruz e Sousa e os primeiros simbolistas (Rio de Janeiro, 1888-1898). 2017. Tese (Doutorado em História Cultural) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.

VERÍSSIMO, José. Um romance simbolista. A Giovanina, do Sr. Afonso Celso. In: VERÍSSIMO, José. Estudos de literatura brasileira. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1976. p. 73-86. (Série 1).

VERÍSSIMO, José. Uma poetisa e dois poetas: D. Júlia Cortines, Luís Guimarães Filho, Cruz e Sousa. Estudos de literatura brasileira. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1977. p. 91-102. (Série 6).

VÍTOR, Nestor. Cruz e Sousa. In: COUTINHO, Afrânio (org.). Cruz e Sousa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira: INL, 1979. p. 104-145. (Coleção Fortuna Crítica, v. 4).

Downloads

Publicado

2026-05-31

Como Citar

Bastoni da Silva, J. C. (2026). Espaço de invenção, espaço de exceção: o caso do poema em prosa em Cruz e Sousa. Texto Poético, 22(48), 69–87. https://doi.org/10.25094/rtp.2026n48a1262